Rogério FERNANDES, 'História da Educação, História das Mentalidades, História da Cultura'


Não será demasiado concluir (...) a curta distância, senão mesmo a indiferenciação, da história da educação e da história das ideias.

Tal orientação era ainda mais vincada no caso de Delfim Santos. A história da educação, tal como a define, é história das "utopias", ou melhor, história da "generosidade humana", história de um "fenómeno englobante" de que arte, ciência ou filosofia seriam manifestações especiais [16]. Em suma, em lugar da história dos factos pedagógicos no seu desenho real, Delfim Santos descrevia uma história das ideias, ou antes, das hipóstases pedagógicas. Orientação anistórica, se não mesmo anti-histórica, no veio do existencialismo heideggeriano de que Delfim Santos foi talvez o expoente máximo em Portugal, sob as suas mãos a história da educação transformava-se em metafísica.

Rogério FERNANDES, História da Educação em Portugal. Lisboa: Horizonte 1988, 104.


[notas]

[16] -  SANTOS, Delfim, 'Um inédito de Delfim Santos - História da Educação', Boletim Bibliográfico e Informativo 5, Fundação Calouste Gulbenkian/Centro de Investigação Pedagógica, Lisboa 1967, 9-11.



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