
Bibliografia sobre Delfim Santos - primeira publicação no site www.delfimsantos.org -
re-editado no site www.delfimsantos.org
1. Inventários da obra
2. Verbetes e resumos biográficos em sites institucionais
3. Teses e dissertações de doutoramento, mestrado ou sabáticas
4. Resenhas
5. Obituários, evocações e pro memoria
6. Obras coletivas
7. Estudos monográficos
8. Menções breves
9. Depoimentos de alunos
10. Antologias
- AAVV.
(1967) Contribuição para o levantamento bibliográfico da obra impressa de
Delfim Santos, Boletim Bibliográfico e Informativo do Centro de Investigação Pedagógica da Fundação Calouste Gulbenkian 5, Lisboa: Gulbenkian,
43-55.
- MIRANDA, Manuel Guedes da Silva
(2003) Bibliografia, Delfim Santos, a metafísica como filosofia fundamental,
Lisboa: Gulbenkian, 313-350.
2. Verbetes e resumos biográficos em sites institucionais
7 a 30.11.07 | Sala de Referência | entrada livre:
DELFIM Pinto dos
SANTOS (1907-1966) foi, além de pedagogo de mérito, uma referência no pensamento filosófico em Portugal na primeira metade do século XX, cujas reflexões fundem o legado de Leonardo Coimbra e seus discípulos, de que partiu, com um cunho existencial assimilado em Heidegger. Desta correlação centrada numa
perspetiva do homem como ser pessoal resulta a relação que estabeleceu entre a filosofia e a pedagogia e de que é exemplo a dissertação de concurso a professor universitário, em
1946, sobre uma Fundamentação Existencial da Pedagogia. A sua principal obra,
Da Filosofia, de 1940, foi publicada no mesmo ano em que obtém o grau de doutor com uma dissertação sobre
Conhecimento e Realidade, na qual acentua a marca metafísica do seu pensamento.
CENTRO VIRTUAL CAMÕES / GANHO, Maria de Lourdes Sirgado
(1998) Delfim Pinto dos Santos.
ESCOLA DELFIM SANTOS - Biografia do Prof. Delfim Santos. FACEBOOK - Delfim Santos. FREEBASE - People influenced by Martin Heidegger. UNIVERSIDADE DO PORTO
/ ARAÚJO, Francisco Miguel
— Antigos Estudantes Ilustres, Delfim Santos, obra.
WIKIPÉDIA (2009, 2010) versão online: WIKIPÉDIA - versão PDF:
3. Teses e dissertações de doutoramento, mestrado ou sabáticas (por ordem cronológica) [quando publicadas ver abaixo em 'estudos monográficos'] - ROCHA, Maria Aldina Cabral de Oliveira Estanqueiro
(1986) Filosofia da educação e humanismo na obra de Delfim Santos,
dissertação de Mestrado apresentada à Faculdade de Filosofia de Braga da
Universidade Católica Portuguesa, Braga.
- CARRILHO, António Louro
(1987) Filosofia e
pedagogia no pensamento de Delfim Santos, dissertação de
Mestrado em Filosofia Contemporânea apresentada à Faculdade de Letras da
Universidade de Coimbra, Coimbra.
- BELO, José Manuel Cardoso
(1994) Subsídios para a compreensão da obra de Delfim Santos pedagogo, 1907-1966: uma pedagogia da autenticidade e de intenção formativa,
tese de doutoramento em Filosofia e Ciências da Educação apresentada à
Faculdade de Filosofia e Ciências da Educação da Universidade de
Santiago de Compostela, Santiago de Compostela.
- GODINHO, Cecília Maria da Silva
(1995) A transcensão em Delfim Santos,
dissertação de mestrado em Filosofia da Educação apresentada à Faculdade
de Letras da Universidade do Porto, Porto, 141.
- CARVALHO, José Maurício de
(1997) Filosofia da cultura, Delfim Santos e o
pensamento contemporâneo,
provas de concurso para Professor Titular de Filosofia Contemporânea na
Universidade Federal de São João del-Rei, MG, São João del-Rei, MG.
- PASZKIEWICZ, Cristiana
(1997) A filosofia pedagógica de Delfim Santos, tese de doutoramento em Ciências da educação
/ Filosofia da educação apresentada à Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real, 358.
- JESUS, Maria João Rodrigues Vieira de
(1998) Dos contributos para a compreensão da
vida e obra de um pensador do nosso século - Delfim Pinto dos Santos: o sentido
prospectivo e utópico da antropologia pedagógica delfiniana,
dissertação de mestrado em Filosofia do Conhecimento apresentada à
Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Porto, 236.
- MIRANDA, Manuel Guedes da Silva
(2001) Delfim Santos,
a metafísica como filosofia fundamental, tese de doutoramento
apresentada à Faculdade de Filosofia de Braga da Universidade Católica
Portuguesa, Braga.
- RODRIGUES, Sandra Catarina Vilabril
(2004) Reflexos da pedagogia delfiniana no sistema educativo português,
dissertação de mestrado em História e Problemas Atuais da Educação
apresentada à Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real.
- CABRAL, Mário
(2005) Elogio das humanidades, tese
doutoramento em Filosofia em Portugal apresentada à Faculdade de Letras
da Universidade de Lisboa, publicada como
Via Sapientiae,
[v. infra].
- CARVALHO, Magda Costa
(2009) 'O encontro [de Delfim Santos] com Bergson' , '2 cartas [de Delfim Santos] a Bergson' e 'excertos do Diário Íntimo [de Delfim Santos]',
A noção de natureza criadora no evolucionismo metafísico de Henri
Bergson: estrutura e alcance de um projeto biofilosófico, dissertação de
doutoramento em Filosofia apresentada à Universidade dos Açores, Ponta
Delgada.
4. Resenhas (por ordem cronológica)
[Carta de Delfim Santos
a António Sérgio, 26.07.38:] «Ex.mo
Sr. Dr. António Sérgio, Muito agradeço a V. Ex.ª a tão calorosa
receção do meu livro tão generosamente expressa na Seara n.º
569. Ela trouxe-me, como V. Ex.ª bem poderá calcular, um pouco
daquele contentamento tão importante e necessário a nós,
trabalhadores intelectuais portugueses. Em outubro penso
levá-lo a Portugal e pô-lo à venda. Veremos o que então sucede...
Muitíssimo grato se manifesta o m.to admirador, Delfim Santos».
[Augusto FITAS et al. (2008)
Filosofia e História da Ciência em Portugal no séc. XX, Lisboa:
Caleidoscópio, 80:] «Esta
recensão não está assinada, fundamentalmente porque tece poucos
comentários, embora nas poucas linhas exteriores aos extratos não
seja difícil adivinhar que o seu autor foi António Sérgio, pois em
alguns passos reconhece-se o travo deixado pela polémica com Abel
Salazar».
(1939)
CANNABRAVA, Euryalo
- Situação valorativa do
positivismo, Rio de Janeiro,
RJ: O Jornal, I - 02.04.39; II - 16.04.39; III - 23.04.39.
(1946)
MARTINS, Diamantino -
Meditação sobre a
cultura, Braga: Revista Portuguesa de Filosofia 2, 1946, 432-434.
(1948) ALVES, Paulo Durão -
Fundamentação
existencial da pedagogia (...) do Sr. Dr. Delfim Santos, Braga: Revista Portuguesa de Filosofia 4, 178-180.
(1949)
CARVALHO, Amorim de -
Fundamentação existencial da
pedagogia, Porto: Prometeu 3, (1-2), 76.
(1950) QUADROS, António -
Temática
existencial, Artes e Letras − A Semana Literária, Diário Popular,
Lisboa, 03.05.1950, 4.
(1953) ROCHA, Jones -
Fundamentação existencial da
pedagogia, São Paulo, SP: Letras e Artes, 1952; re-editado em Letras da Província, Limeira, SP, 1 [orig].
(1955) WASHINGTON, Luís -
Fundamentação existencial da
pedagogia, São Paulo, SP: Revista Brasileira de Filosofia 5-4, , 684-689.
(1957) WASHINGTON, Luís -
Atualidade e valor do pensamento filosófico de Leonardo Coimbra, São Paulo, SP: Revista Brasileira de Filosofia
7-1, 154-155. (1977) COLÓQUIO, Revista -
Obras Completas, 3º vol.
Delfim Santos e Pascoaes, Lisboa: Colóquio/Letras
39, 103.
5.
Obituários, evocações e pro memoria
-
AAVV.
(1966) Homenagem a Delfim Santos -
depoimentos, Lisboa: O Tempo e o Modo 43-44, nov.-dez., 1080-1101
[com indicação dos cortes ao texto pela censura prévia].
-
COSTA, João Bénard -
Um destino
português, 1080-1081.
-
FERREIRA, Alberto -
Delfim Santos,
humanista, 1081-1085.
-
LOURENÇO, Eduardo -
Na morte de Delfim Santos,
1085-1087.
-
MEDINA, João -
[sem título], 1087-1088.
-
COELHO, Jacinto do Prado -
[sem título], 1088-1089.
- MARINHO, José - A ontofenomenologia em Delfim Santos, 1089-1093;
(1981) re-editado em Estudos sobre o
pensamento português contemporâneo, Lisboa: Biblioteca Nacional, 119-123.
-
CINTRA, Luís Lindley -
Delfim Santos, Professor, 1093-1094. -
LOURENÇO, M. S. -
Prof. Delfim Santos, 1095-1098. -
GRÁCIO, Rui - [sem título], 1098-1101.
-
AAVV. (1967)
Sessão de homenagem à
Memória do Prof. Doutor Delfim Santos na Sociedade Portuguesa de Psicologia, 15 dez. 1966, Lisboa: Revista Portuguesa de Psicologia
1, jun.
- FERNANDES, Barahona - Professor Delfim Santos, 49-65.
- MARINHO, José - Delfim Santos e a Filosofia Situada, 67-75;
(1981) re-editado em
Estudos sobre o pensamento português contemporâneo, Lisboa: Biblioteca Nacional, 111-117.
- BAIRRÃO, Joaquim -
Nótula sobre o Contributo de Delfim Santos à Epistemologia Psicológica [enviado
de Paris e lido por João Medina], 77-82.
- GRÁCIO, Rui -
Delfim Santos, o Pedagogista e o Pedagogo, 83-92; (1975)
3ª ed, Educação e Educadores, Lisboa: Horizonte [contracapa:
«Rui Grácio frequentou a Universidade Clássica de Lisboa (licenciatura em Letras, Curso de Ciências Pedagógicas). Convidado por
Delfim Santos, ingressou no Centro de Investigação Pedagógica da Fundação Calouste Gulbenkian. Neste livro tenta (...) circunscrever a obra, o pensamento e a personalidade de educadores de eleição (Maria Montessori, António Sérgio, Anne Sullivan,
Delfim Santos), e abordar alguns problemas respeitantes à formação dos educadores profissionais»];
(1996) Obra completa: educadores, formação
de educadores, movimentação estudantil e docente, Lisboa: Serviço de
Educação da Fund. Gulbenkian.
- ANON.
(1966)
Prof. Doutor Delfim Santos, crónica sobre o seu falecimento,
Braga: Revista Portuguesa de Filosofia 22, 402-403.
-
ANON.
(1966)
O funeral do Prof. Delfim Santos... Lisboa: Diário de Lisboa
26.09.1966, 11 e
20.
-
ARAÚJO, Matilde Rosa (1966)
Professor Delfim Santos,
Porto: O Comércio do Porto 06.12.66, 14.
-
CARVALHO, Alberto Martins de (1967) Delfim Santos e
o Centro de Investigação Pedagógica, Lisboa: Boletim Bibliográfico e Informativo do Centro de Investigação Pedagógica da Fundação Calouste Gulbenkian
5, 14-17.
-
CINTRA, Luís F. Lindley (1966)
A
Universidade está mais pobre, Encontro 62, nov.
-
COELHO, Jacinto do Prado (1966)
O
pensamento pedagógico de Delfim Santos,
Porto: O Comércio do Porto 06.12.66, 14. -
COELHO, Jacinto do Prado (1971)
Delfim Santos,
Dicionário das literaturas portuguesa, brasileira, galega, estilística
literária, 2ª ed., Porto: Figueirinhas.
- COSTA, João Bénard da
(1966)
Nota final - Prof. Delfim Santos,
O Tempo e o Modo 41, 894:
«Já com este número nas
máquinas, fomos surpreendidos pela notícia da morte do Prof.
Delfim Santos,
ocorrida, prematura e inesperadamente, a 25 de setembro passado. Com
Delfim Santos desaparece o último Professor de Filosofia da Universidade portuguesa, o último duma plêiade de homens a que,
nesse setor, a palavra Mestre se pode aplicar inteiramente, e da qual
— por muito diversas que fossem as orientações respetivas
— mais próximo de nós Vieira de Almeida, Joaquim de Carvalho e Edmundo Curvelo foram, como ele foi, as figuras marcantes. Embora, como observava em nota recente o Prof. Barahona Fernandes «a rigidez administrativa, quezílias pessoais e uma certa atmosfera de apagada mesquinhez que reina em tantas coisas da nossa terra»
[Diário de Lisboa, 28.09.66] (e de que ele havia de ser vítima até final da sua vida) o tenham afastado da cátedra de Filosofia, que por direito próprio devia ter ocupado, não cabe dúvida que foi nesse campo que se processou o melhor da inestimável contribuição de
Delfim Santos à cultura e pensamento portugueses. Dizendo-o não procuramos diminuir a sua notabilíssima ação no setor da Pedagogia, de que era o único catedrático da Universidade de Lisboa, mas tão-somente salientar uma criação intelectual que trouxe até nós a antropologia existencial e o neopositivismo
e pensadores tão diversos quais Kierkegaard e Heidegger, Jaspers e Husserl, Wittgenstein e Carnap,
Hartmann e Le Senne, que Delfim Santos foi o primeiro, ou dos primeiros, a comentar e expor em Portugal.
Duma obra na sua maior parte inédita ou fora do mercado salientam-se todos ou quase todos os temas e preocupações dominantes da filosofia europeia dos anos 30 aos anos 60 e foi através dela e da sua imperecível ação docente que muitas gerações de portugueses puderam acompanhar e viver a situação espiritual dos nossos dias. O mesmo tom e a mesma presença se encontram nos seus escritos pedagógicos, fonte e caminho indispensável para quem se queira dedicar a uma análise da problemática educativa no nosso País, e nos quais encontramos o empenhamento, densidade e elegância que foram sempre apanágio duma vida intelectual exemplarmente cumprida.
O TEMPO E O MODO espera poder promover dentro em breve ao
autor de A Fundamentação Existencial da Pedagogia a homenagem que a sua obra e personalidade justificam e exigem. Nesta breve nota queríamos apenas registar o imenso vazio deixado pelo seu desaparecimento e o público testemunho duma dívida de gratidão que todos aqueles que em Portugal não desaprenderam de pensar têm em aberto para com o homem e para com o pensador que se chamou
Delfim Santos».
-
MEDINA, João
(1967)
O
sentido da ironia em Delfim Santos, (In Memoriam).
- MELO, Maria Carlota
(1967)
Notícia de Homenagens Prestadas à Memória de Delfim Santos; Resumo das
comunicações apresentadas na sessão de homenagem à memória do Prof.
Doutor Delfim Santos promovida pela Sociedade Portuguesa de Psicologia,
Lisboa: Boletim Bibliográfico e Informativo do Centro de Investigação Pedagógica da Fundação Calouste Gulbenkian
5, 29-30 e 30-41:
Barahona FERNANDES: «Bom é recordar que foi
Delfim Santos quem primeiro, em Portugal, ensinou, divulgou e praticou a
caracterologia de Weymans e Wiersma. E, relativamente às relações médico-doente, analisadas à luz da caracterologia por ele propugnada, oiçamos de novo as palavras de
Delfim Santos: “...O tipo de
compreensão é sempre relativo ao caráter. Os homens não são iguais,
e não se compreendem, porque pretendem a todo o momento desconhecer
que não são iguais”» Boletim Bibliográfico e Informativo do CIP
5, Lisboa: Gulbenkian, 32-33.
NIZA, Sérgio
(1967) Carta a Rui Grácio, Paris 21.02.67:
«Da sua primeira carta destaco as notícias sobre as homenagens à memória do Prof.
Delfim.
Estou profundamente interessado nos trabalhos apresentados. Conseguirá arranjarmos?
Delfim Santos foi verdadeiramente um homem des-situado do nosso contexto cultural. Algumas
coisas dele, que me foi dado ler, são duma sensibilidade, profundidade e estilo invulgares. Como pedagogista é uma fonte de
que não aproveitámos ainda as águas. Um pouco mais informado, agora, do pensamento pedagógico contemporâneo, penso como ele o enriqueceria se não fosse a limitação da língua em que escreveu. E não haverá quem reúna toda a sua obra e a re-edite? ».
[Sérgio Niza era à data professor no Centro Helen Keller. Foi membro da
Comissão
organizadora das comemorações do I centenário do nascimento de Anne Sullivan, presididas
já a título póstumo por Delfim Santos e que tiveram lugar
em Lisboa de 21 a 25 de novembro de 1966].
-
REALE,
Miguel (1968)
Um filósofo da realidade, Supl.
lit. de O Estado de São Paulo, 16.03.68.
-
RIBEIRO,
Orlando (1967)
Delfim Santos, (In Memoriam).
-
SERRÃO, Joel
(1971)
Lembrança de Delfim Santos, Delfim SANTOS, Da Filosofia,
Lisboa: Horizonte, 7-12.
-
SIMÕES, Manuel Breda (1967) Acerca do Pensamento Pedagógico de Delfim Santos,
Lisboa: Boletim Bibliográfico e Informativo do Centro de Investigação Pedagógica da Fundação Calouste Gulbenkian
5, 19-28.
-
TEIXElRA, António Braz
(1966)
Aproximação ao
pensamento filosófico de Delfim Santos,
Lisboa, Espiral 13, 57-61.
WASHINGTON,
Luís (1967)
Silêncio e extraposição (versão inicial para
In Memoriam).
WASHINGTON,
Luís (1968)
Delfim Santos, desafiante historiador das ideias
(versão final para In Memoriam).
(1990)
Delfim Santos - octogésimo aniversário do nascimento do Prof. Delfim Santos:
comemorações, Lisboa: Centro Cultural Delfim Santos.
- FERNANDES, Barahona - Delfim Santos e a psicologia
antropológica, 17-22
[v. infra sob "Fernandes"].
- SERRÃO, Joel - Sobre a deontologia da publicação de
obras póstumas, 23-26.
- OLIVEIRA, M. de Lourdes Flor de - O Professor e a sua Irradiação, 27-46.
- ARAÚJO, Matilde Rosa - Professor Delfim Santos, 47-50
[v. infra sob "Araújo"].
- BOTELHO, Afonso - Mestre de rigor, 51-54
[v. infra sob "Botelho"].
- GRÁCIO, Rui - O pensamento pedagógico de Delfim Santos,
55-60 [v. infra sob "Grácio"].
- RODRIGUES, Jorge Tavares - Delfim Santos, o
percurso do Homem, do Mestre, do Amigo, 61-76.
- QUADROS, António - Delfim Santos, introdução à vida e à obra, 83-112
[v. infra sob "Quadros"].
(2008)
Delfim Santos e a Escola do Porto,
Atas do Congresso Internacional,
Lisboa: INCM.
- GOMES, J. Pinharanda -
Delfim Santos na Escola Portuense, 11-40.
- ROCHA, Afonso - A receção de Sampaio (Bruno) por Delfim Santos,
41-58.
- PIMENTEL, Manuel C. - Delfim Santos e Leonardo Coimbra, 59-66.
- BAPTISTA, Pedro - Delfim Santos e Newton de Macedo, 67-80.
- TEIXEIRA, António B. - Delfim Santos e Sant' Anna Dionísio,
81-96.
- DOMINGUES, Joaquim - Delfim Santos e Álvaro Ribeiro, 97-106.
- RIVERA, Jorge C. - Delfim Santos e José Marinho, 107-137.
- EPIFÂNIO, Renato - Da «consciência nacional» à «consciência de
si»: entre Delfim Santos, José Marinho e Agostinho da Silva,
139-143.
- LOIA, Luís - Delfim Santos e Eudoro de Sousa, 145-154.
- CÉSAR Constança M. - Delfim Santos e Vicente Ferreira da Silva,
155-170.
- MORUJÃO, Carlos - Delfim Santos, Hartmann e Heidegger, 171-182.
- LEÃO, Júlia M. P. - A influência da fenomenologia no pensamento
de Delfim Santos, 183-197.
- REAL, Miguel - Delfim Santos e a génese do existencialismo em
Portugal, 199-234.
- BRITO, António J. de - A noção de filosofia em Delfim Santos
Reflexões críticas, 235-244.
- SOUSA, Ana P. L. - A noção de aporia em Delfim Santos e António
José Brandão, 245-258.
- AZEVEDO, M. da Conceição - «Expressão e verdade» - Breve
comentário, 259-262.
- CARVALHO, J. Maurício de - O conceito de realidade formulado por
Delfim Santos, 263-276.
- BERNARDO, Luís Manuel A. V. - Conhecimento e realidade em Delfim
Santos, 277-297.
- GANHO, M. de L. Sirgado - A ontologia de Delfim Santos, 299-308.
- PEREIRA, Paula C. - A antropologia filosófica em Delfim Santos e
a matriz leonardina: Da cousificação à criação, 309-319.
- PASZKIEWICZ, Cristiana de S. e - A onto-antropologia de Delfim
Santos: reflexos na sua pedagogia, 321-333.
- BELO, José M. C. - A concepção educacional de Delfim Santos: uma
visão intemporal, 335-358.
- RODRIGUES, A. M. Moog - A defesa da educação profissional como
educação existencial no pensamento de Delfim Santos, 359-368.
- PATRÍCIO, Manuel F. - A ideia de universidade em Delfim Santos e
suas raízes leonardinas, 369-404.
- CUNHA, Norberto - Delfim Santos e o ensino universitário,
405-430.
- GAMA, José - A cultura, salvaguarda do humano, em Delfim Santos,
431-439.
- CABRAL, Mário - Do cientista ao mago: o lugar da religião no
pensamento de Delfim Santos, 441-447.
- DIMAS, Samuel - Delfim Santos e o protestantismo: o diálogo
entre a fé e a razão na dinâmica espiritual da experiência cristã,
449-471.
- FRANCO, A. Cândido - A noção de saudade em Delfim Santos ou o
progresso não faz vítimas, 473-474.
- ARAÚJO, Luís de - O propósito ético do pensamento de Delfim
Santos, 475-479.
- CUNHA, Paulo F. da - Delfim Santos, o direito e a justiça:
originalidade de uma jusfilosofia da negação e do caso, 481-498.
- MESQUITA, A. Pedro - Delfim Santos e o projeto da Renovação
Democrática, 499-521.
(2008)
Delfim Santos, A filosofia e o sentido da existência, Braga:
Faculdade de Filosofia.
- GAMA, José - Apresentação, 9-10.
- PATRÍCIO, Manuel - O Pensamento de Delfim Santos na Pedagogia Portuguesa do séc. XX, 11-49.
- MIRANDA, Manuel Guedes - Filosofia, Educação e Metafísica em Delfim Santos, 51-67.
- GAMA, José - Filosofia, Humanismo e Cultura em Delfim Santos, 69-89.
- GALVÃO, Artur - O(s) Conhecimento(s) em Delfim Santos. Pertinência e Atualidade, 91-111.
- MARQUES, Mª de Lurdes - Projeção e Alcance da Antropologia de Delfim Santos na Filosofia do Ensino Secundário, 113-121.
- COSTA, Miguel - Condição e Construção do Humano em Delfim Santos, 123-133.
- ROCHA, Afonso - Aproximação à 'Filosofia da Existência' de Delfim Santos: Leonardo e Bruno 'em fundo'?, 135-194.
(2009)
Delfim Santos em diálogo com...,
Porto: Caixotim.
- CUNHA, Norberto Ferreira da - Delfim Santos e Bernardino Machado (convergência sobre o ensino superior), 21-55.
- DOMINGUES, Joaquim - Delfim Santos e Álvaro Ribeiro ou o diálogo a haver, 57 - 82.
- EPIFÂNIO, Renato et al. - Delfim Santos e Teixeira de Pascoaes: do ser da poesia à poesia do nosso ser, 83-93.
- TEIXEIRA, António Braz - Delfim Santos e Sant'Anna Dionísio: afinidades e diferenças, 95-112.
- EPIFÂNIO, Renato - Entre Delfim Santos e Agostinho da Silva: a questão da "consciência nacional", 113-121.
- ABREU, Alberto A. - Delfim Santos em diálogo com o pensamento de António Manuel Couto Viana, 123-140.
- EPIFÂNIO, Renato - Entre Delfim Santos e José Marinho: o conceito de 'filosofia situada', 141-150.
- PATRÍCIO, Manuel Ferreira - Delfim Santos e Leonardo Coimbra: diálogo em dois andamentos, 151-180.
7. Estudos monográficos em livro, artigo ou conferência (de A a Z)
A
- ARAÚJO, Matilde Rosa (1990) Professor Delfim Santos,
Delfim Santos - octogésimo aniversário do nascimento do Prof. Delfim
Santos: comemorações, Lisboa: Centro Cultural Delfim Santos, 47-50.
[MRA incluiu um trecho
da Fundamentação existencial da pedagogia de Delfim Santos
na sua antologia de textos
pedagógicos A Estrada Fascinante, Lisboa: Horizonte,
1988, 51].
B
- BELO, José M. Cardoso
(1999) Para uma teoria política da educação. Atualidade do
pensamento filosófico, pedagógico e didático de Delfim Santos, Lisboa: Gulbenkian.
- BELO, José M. Cardoso
(1999) Notas sobre uma 'visão' humanista da
cultura,
Revista Portuguesa de
Humanidades
3, Braga: Universidade Católica Portuguesa, Faculdade de Filosofia,
305-316. BOTELHO, Afonso
(1969) Apologia do mestre, Teoremas de
filosofia 1, Lisboa.
BOTELHO, Afonso (1990) Mestre de Rigor, Delfim Santos
— octogésimo aniversário do nascimento do Prof. Delfim Santos:
comemorações, Lisboa: Centro Cultural Delfim Santos, 51-54.
[Afonso BOTELHO (1990) Da Saudade ao Saudosismo, Lisboa: ICALP, 103:] «...Teremos
que aceitar que o passado se recupera e que é exatamente nessa recuperação,
nesse regresso, que a poesia se efetiva. Isto mesmo afirmava Delfim Santos
a propósito da obra de Pascoaes. [135-6:] Curioso e significativo é o
testemunho do existencialista Delfim Santos
sobre o sentido do regresso em Pascoaes, pois não só revela a abertura
mental deste filósofo auscultando na "mítica linguagem do poeta" o ritmo
dialético e "vivo do espírito", como exprime a valorização da saudade por
esta inverter o tempo linear e causal. Tal apreciação do conceito de
regresso no Saudosismo completa-se com a eliminação do tempo histórico e a
recorrência à imagem paradigmática do Paraíso Perdido».
C
CALAFATE, Pedro
(1995)
Figuras e ideias da
filosofia portuguesa nos últimos cinquenta anos, Braga: Revista
Portuguesa de Filosofia 51, abr.-jun., 357-358.
CARRILHO, António Louro
(1988) O estatuto epistemológico da pedagogia de Delfim Santos, Revista Portuguesa de Pedagogia 22, 385-405. CARRILHO, António Louro
(1989) Delfim Santos e a filosofia portuguesa,
Lisboa: Vértice 12, 81-83.
CARVALHO, José Maurício de (1996) O pensamento
filosófico de Delfim Santos,
São João del-Rei, MG: Anais de Filosofia 3, 67-74. CARVALHO, José Maurício de
(1996) A Ideia de
filosofia em Delfim Santos,
Londrina, PR: UEL, 237; resenha por Marina MADEIRA, São João del-Rei, MG: Estudos Filosóficos 2,
2009, 227-233. CARVALHO, José Maurício de
(1997)
Delfim Santos e os
temas culturais, Educação e Filosofia 11, 39-55.
CARVALHO, José Maurício de (1997) Delfim Santos e a
temática existencial, São
João del-Rei, MG: Anais de Filosofia 4, 297-306. CARVALHO, José Maurício de
(1998) Delfim Santos e as trilhas do pensamento,
São Paulo, SP: Revista Brasileira de Filosofia 44, 189, 57-77. CARVALHO, José Maurício de
(1999) Filosofia da
cultura, Delfim Santos e o pensamento contemporâneo,
Porto Alegre: EDIPUCRS, 150;
resenha por José Roberto Fº.
CARVALHO, José Maurício de (2003)
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Porto: O Primeiro de Janeiro, 15.12.2003, 10-12.
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Porto: O Primeiro de Janeiro, 06.03.2006, 23-25.
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(2009) A Vida
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[José Esteves PEREIRA,
Do Caminho de Santiago ao Cruzeiro do Sul: Pensar em Português e em
Galego, 14.10.07:]
«Um dos nomes brasileiros que
participou muito ativamente nestas reuniões foi José Maurício de
Carvalho (...) Falar de José Maurício de Carvalho é falar não só dos
dois Colóquios até agora realizados em S. João del Rei, nessa Minas
Gerais de tanta memória lusa mas, também, do cuidado que lhe têm
merecido pensadores portugueses, nomeadamente
Delfim Santos... Em 1999, em S. João del Rei, estudámos
António Sérgio e a Delfim Santos...».
- CARVALHO, Magda
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[628:] «...
Para a Presença passam, além de Casais, José Marinho e (mais
episódica e algo provocativamente) Delfim Santos».
[641:] «De
resto assiste-se [na Presença] a uma progressiva abertura em
relação a certas literaturas estrangeiras até então muito ignoradas
(...), o que se acentua na Revista de Portugal, onde Paulo
Quintela faz. entre outras, a revelação então importantíssima de
Rilke, e Delfim Santos a de
Heidegger».
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Delfim Santos sobre a ação pedagógica ("A verdadeira missão do professor consiste em ensinar a aprender. Mas para ensinar a aprender é preciso aprender a ensinar...")».
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Porto: Caixotim, 95-112.
V
8. Menções
breves em livros, artigos, entrevistas e notícias
- AAVV.
(1987) Delfim Santos,
pedagogia da existência, pedagogia da autenticidade,
Lisboa: Jornal de Letras, Artes e Ideias, 256, 13-14.
- AAVV.
(1987) Delfim Santos, um pedagogo lembrado na escola com o seu nome,
Porto: Jornal de Notícias, 30.05.87.
- AAVV.
(1987) Delfim Santos homenageado em Lisboa,
Lisboa: O Diabo, 02.06.87, 11.
- AAVV.
(1971) O Pensamento filosófico em Portugal,
Delfim Santos,
Lisboa: Boletim Informativo da F. C. Gulbenkian, 106-107.
- ABRANTES, José Carlos (2000)
À conversa com… Arquimedes Santos,
Noesis 55, Ministério da Educação, Lisboa:
[Sobre o Centro de Investigação Pedagógica da Fundação Gulbenkian:]
«...no
Centro, criado há pouco tempo, formou-se um curso de ciências pedagógicas de
que era diretor precisamente o Prof. Delfim Santos, um curso como o que
havia na Faculdade de Letras, que eu também tirei. Esse curso da Gulbenkian
tinha como subdiretores o Dr. Breda Simões, que era meu amigo também, e o
Dr. Rui Grácio.
Havia dois Departamentos. Um de didáticas e outro de psicologia e de
psicopedagogia. E foi para esse que fui convidado. Ora, acontece que nesse
curso de ciências pedagógicas havia professores, entre os quais o Dr.
Delfim Santos, o Dr. Rui Grácio, o Dr. Breda Simões e as Dr.as. Natália Pais e
Antónia Augusta, que davam as ciências pedagógicas».
BRITO, António José de (1995)
O Porto e a
filosofia a partir de 1945, Revista Portuguesa de Filosofia 51, 267-271.
- CAEIRO, Francisco da Gama
(1983) Da filosofia na Faculdade de Letras de Lisboa,
Lisboa: Revista da Faculdade de Letras, 1983.
- CALAFATE, Pedro
(1995) Figuras e ideias da filosofia portuguesa nos
últimos cinquenta anos, Revista Portuguesa de Filosofia 51,
fasc. 2, abr.-jun., 369:
«...Não
deixa de ser sintomática a leitura do manifesto do grupo reunido em
torno da revista 57, o Manifesto 57. Aí se indicam as
chamadas
“enfermidades” da cultura nacional, analisadas na base de
um claro comprometimento com o que designam como uma
“filosofia da
Pátria”. Como razões da enfermidade elegem a influência de correntes
estrangeiras com os seus vários ismos, fossem elas o
escolasticismo, o positivismo ou o materialismo dialético, embora
com uma significativa exceção aberta para o existencialismo. Essa
exceção é relevante, porque para os homens da filosofia
portuguesa, nomeadamente para António Quadros, aqueles vários ismos
impunham um universalismo sujeito à ideia de mesmidade, esvaziando
o heterogéneo em favor do homogéneo. Nesta base, a atenção dada por
António Quadros ao existencialismo, para o qual fora sensibilizado
pelo seu mestre Delfim Santos, tinha
menos a ver com o acolhimento e difusão das suas teses nucleares,
pois que rejeita a ideia sartriana de uma moral e de uma metafísica
sem Deus, e mais com o que nele se abria de possibilidade de atenção
ao concreto, ao homem concreto,
“esse desconhecido”, levando-o a
defender, em Introdução a uma estética existencial (Lisboa,
1954, 1), que o conceito de existência se deveria assumir como
primitiva categoria do ser».
CORREIA, Natália (1991)
Telegrama sobre as
comemorações do 80º aniversário de Delfim Santos:
[Dirigido à viúva de DS e enviado da Assembleia da
República com data de 26.02.91:] «Perseguida pelos maus fados que se obstinam em tornar impossível a minha
presença nas cerimónias dedicadas ao nosso querido
Delfim
Santos mais uma vez estou impossibilitada de o
fazer por me achar retida numa sessão da A[ssembleia] da R[epública] a que de nenhuma
forma posso faltar. Mas creia-me sempre devotada à memória desse
homem inesquecível que tanto iluminou a passagem da minha juventude para a maturidade. Um beijo muito amigo da Natália Correia».
CRIPPA, Adolpho (sd)
citado em 'Diário filosófico: papéis inéditos de Vicente Ferreira da
Silva', Transcendência do Mundo,
Obras Completas de
Vicente Ferreira da Silva
3, 628.
Quanto ao mais, (Vicente Ferreira da Silva) essa estranha figura
de filósofo vivia em convivência epistolar com grandes figuras de
pensadores europeus ou sul-americanos. Ernesto Grassi, Luigi
Bagolini, Delfim
Santos, Julián Marías, Von Rintelen, Francisco Romero,
Carlos Astrada, Miguel Ángel Virasoro, Leopoldo Zea.
DOMINGUES, Garcia (1988)
Entrevista à revista Leonardo.
FERNANDES, Rogério (1979) A Pedagogia portuguesa contemporânea, Lisboa, 137-138.
FERNANDES, Rogério (1988) História da Educação em Portugal, Lisboa: Horizonte, 104:
«Não será demasiado concluir
[...] a curta distância, senão mesmo a indiferenciação, da história da educação e da história das ideias. Tal orientação era ainda mais vincada no caso de
Delfim Santos. A história da educação, tal como a define, é história das
'utopias', ou melhor, história da 'generosidade humana', história de um
'fenómeno englobante' de que arte, ciência ou filosofia seriam manifestações especiais [SANTOS,
Delfim, 'Um inédito de Delfim Santos - História da Educação',
Boletim Bibliográfico e Informativo 5, Fundação Calouste Gulbenkian/Centro de Investigação Pedagógica, Lisboa 1967, 9-11].
Em suma, em lugar da história dos factos pedagógicos no seu desenho real,
Delfim Santos descrevia uma história das ideias, ou antes, das hipóstases pedagógicas. Orientação anistórica, se não mesmo anti-histórica, no veio do existencialismo heideggeriano de que
Delfim Santos foi talvez o expoente máximo em Portugal, sob as suas mãos a história da educação transformava-se em metafísica».
- FERREIRA, João (1960) História da filosofia portuguesa, Leiria.
- FERREIRA, João (1965) Existência e fundamentação geral do problema da
filosofia portuguesa, Braga.
- FERREIRA, Vergílio
(1981) Um escritor apresenta-se,
Lisboa: INCM:
[231:] «... a publicação de Aparição, deu-se um caso curioso, de que já tenho falado: um dia estava eu em casa do Gaspar Simões e o falecido
Prof.
Delfim Santos, falando da Aparição, disse-me: o seu livro liga-se intimamente à filosofia de Jaspers.
[265:] ... nesse livro uma influência de Jaspers (que me foi apontada por
Delfim Santos...
Delfim Santos radicalmente manteve a sua opinião. É claro que eu fui imediatamente comprar...».
- FERREIRA, Vergílio
(1991) Conta-corrente 3, 1980-1981,
Lisboa: Bertrand:
[196:] «Um pouco de história: Publicada
Aparição, Delfim Santos
afirma-me a proximidade do livro com a filosofia de Jaspers. Não tinha lido praticamente nada de Jaspers e aí nada que se aproximasse de
Aparição. Compro imediatamente La pensée de l'existence, de Jean Wahl...».
FERRO, António Quadros (2010) A ideia
de cultura no pensamento de António Quadros, Lisboa, Universidade
Católica:
[106:] «Por esta altura
[António Quadros] era influenciado por Delfim Santos
(que era) “o único professor da Faculdade de Letras que olhava com
simpatia este movimento [existencialista] inspirado aliás no
pensamento dos grandes alemães de quem fora discípulo ou atento
leitor, Hartmann, Husserl, Heidegger”. Quadros, António
(1971) Ficção e Espírito, Memórias Críticas, Lisboa: Sociedade de
Expansão Cultural, 178».
[90:]
«Dito isto, retomemos a
reflexão acerca das dez palavras escolhidas por António Quadros que
compõem, ou melhor dizendo, ilustram, o ideal português. São os
temas que ao longo da história sempre estiveram presentes na cultura
portuguesa. Para o filósofo não são apenas palavras, “...são
arquétipos, são ideias, são signos de mitos profundos, cuja
conjugação desenha porventura — não recusando outra interpretação
diferente da nossa e até o alargamento a outras palavras arquetipais
— o ideal português...” (Quadros, António (1967)
O Espírito da Cultura Portuguesa – ensaios,
Lisboa: Sociedade de Expansão Cultural, 74). A escolha destas
palavras esteve, aliás, em discussão no colóquio sobre o ideal
português, tendo Delfim Santos, em
opinião contrária, dito naquele momento que se correria o risco de
se entrar “…muito mais no domínio do que poderia chamar-se filomitia,
do que no da filosofia.” (idem, 75) Ora, António Quadros
entendeu, por outro lado, que se tratava de “...descer à máxima
profundidade antropológica, pois as palavras-mães são o desfecho
sintético de uma ancestral experiência do homem no mundo”. (idem,
ibidem) pelo que era a partir dessa experiência, que não exclui
uma reflexão linguística, que o espírito se poderia mover no sentido
da sofia: “A experiência filosófica plena é interior e
mental. O documento externo que a estimula e fecunda, seja tratado,
poema ou crítica tem pois um mero valor filosófico potencial. A
filosofia não é o livro, ou seja, não é a coisa. A filosofia é a
vida do espírito, apoiando-se, sim, num suporte exterior, mas desde
que este possa ser ultrapassado e transcendido” (idem, 77)».
FONTES, Carlos
(2002) 'Delfim Santos',
Pedagogos
portugueses, Navegando na educação:
« Delfim Santos - Filho único varão de um laborioso ourives, estava em princípio destinado a seguir o ofício paterno. Em 1922 após a morte do pai assume a responsabilidade pelo sustento familiar, ficando à frente da sua oficina. Um ano depois resolve prosseguir os seus estudos. Revelando uma notável inteligência, mas também força de vontade, em 1927 terminava já o curso complementar de ciências, e depois de letras, matriculando de seguida na
Faculdade de Letras do Porto. Em 1931 conclui a licenciatura em
Ciências Históricas e Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, com as mais elevadas notas. Enquanto frequentava esta licenciatura, inscrevera-se também em cadeiras de Filologia Clássica, e na Faculdade de Ciências, em cadeiras da secção de Ciências Matemáticas. Conclui o estágio e o Exame de Estado para professor liceal (1932-34), resolvendo especializar-se em Filosofia no estrangeiro. Neste sentido, em Viena estuda Filosofia das Ciências, assiste a cursos e conferências de reputados mestres como Piaget, Husserl, Heisenberg, etc. Em Berlim ouve N. Hartmann. Em Londres e em Cambridge cursa com ilustres professores. Regressou a Portugal em 1937, sendo nesse ano nomeado leitor na Universidade de Berlim, onde permanecerá até 1942,
contactando direto, em Friburgo com o pensamento de M. Heidegger. Em 1940 doutora-se na Universidade de Coimbra. Em 1943 passa a integrar o corpo docente da Faculdade de Letras de Lisboa, onde virá a ocupar até á data da sua morte a cátedra de Ciências Pedagógicas. Em 1963 passa a dirigir o Centro de Investigação Pedagógica da Fundação Calouste Gulbenkian».
FRANCO, António Cândido
(1997) Saudade e saudosismo em Florbela Espanca,
elementos textuais do
diálogo entre Durão e Florbela, A Planície e o Abismo, Atas do
Congresso sobre Florbela Espanca realizado na Universidade de Évora de
7 a 9 de Dezembro de 1994, Lisboa: Vega, 55-66:
[63:] «Creio que o melhor interesse
deste meu texto, ou pelo menos o mais útil dele, se situa na
tentativa de situar periodologicamente a poesia de Florbela, ou pelo
menos o Livro de Soror Saudade no âmbito da segunda geração
saudosista e no momento mais caraterístico da sua atividade, o de
1921 a 1928, que coincide com a da renovação da revista A Águia
por Leonardo Coimbra e da fundação da primeira Faculdade de Letras
do Porto, crisol onde se fundiu e coou uma segunda geração de
renascentes (José Marinho, Agostinho da Silva, Álvaro Ribeiro,
Augusto Saraiva, Sant'Ana Dionísio, Eugénio Aresta e
Delfim Santos),
toda ela interessada por filosofia, e que é neste domínio o
equivalente da segunda geração saudosista de poetas, antes referida».
GAMA, José (1982) História da filosofia em Portugal:
tópicos para um curso e indicações bibliográficas,
Braga: Revista Portuguesa de Filosofia 38, 365-382.
GANHO, Maria de Lourdes Sirgado & Mendo Castro HENRIQUES
(1988) Bibliografia filosófica portuguesa (1931-1987), Lisboa:
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GANHO, Maria de Lourdes Sirgado (sd.)
'Santos (Delfim)', LOGOS, Enciclopédia luso-brasileira de
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GOMES, Joaquim Ferreira (1995)
Para a História da educação em Portugal, Porto.
GOMES, Pinharanda (1987)
Dicionário de filosofia portuguesa, Lisboa: Dom Quixote.
GOMES, Pinharanda (1995)
Delfim Santos, Elenco breve de educadores dos sécs. XIX e XX, Ferreira
DEUSDADO, Educadores portugueses, Porto: Lello, 526-527:
«DELFIM
SANTOS (Porto, 1907—Cascais,
1966). Filósofo e pedagogo, aluno de Leonardo Coimbra na Faculdade
de Letras do Porto, foi bolseiro na Áustria, na Inglaterra e na
Alemanha, onde frequentou as aulas de Nicolau Hartmann, de quem
recebeu influências, tal como as receberia de Heidegger. Segundo os
antigos companheiros do Porto e conforme os seus trabalhos
filosóficos demonstram até 1946, Delfim Santos queria lecionar uma
cadeira de Filosofia, mas ter-lhe-ão movido obstáculos (?) de tal
forma que ao concorrer, em 1946, a professor da Secção de Ciências
Pedagógicas da Faculdade de Letras de Lisboa,
Delfim mais cedia às circunstâncias do
que atingia o seu propósito. A tese
Fundamentação Existencial da Pedagogia
(1946) inicia o seu percurso pelas
Ciências Pedagógicas, sem jamais abandonar a reflexão filosófica, a
que cedo se votara, como se vê pela sua introdução ao estudo da
cadeira, intitulada
Da Filosofia (1939) e
continuada até à morte. No âmbito do currículo profissional publicou
trabalhos de grande interesse antropológico:
Formação Humana e Formação Profissional
(1952) e Temática da Formação Humana
(1961). Estes escritos, como os
demais, acham-se compilados nos três volumes das suas
Obras Completas (1971-1977).
[63:] Delfim evidencia alguma
analogia com José Marinho em questões pedagógicas: “O pedagogo só
merece chamar-se pedagogo quando, cada dia, e pelo contacto com o
ambiente humano que é o seu próprio, esteja sempre disposto a
aprender, e, portanto, a pôr de lado o que antes tinha por seguro e
certo...” — Delfim Santos, Fundamentação Existencial da Pedagogia,
Obras Completas 1 (1971) 136. A educação acompanha as mutações da
existência».
GRÁCIO, Rui
(1984)
Correntes atuais da Pedagogia, Lisboa: Horizonte, 87:
«...
O conhecimento ̶ pela análise, a reflexão, o debate ̶
, dos nossos pensadores que pensaram as coisas da educação e do ensino.
Citarei três, infelizmente por má sorte nossa já desaparecidos, mas com
os quais alguns de nós ainda tiveram o privilégio estimulante de privar.
Diversos na sua compleição pessoal e cívica, e na sua conformação
filosófica, refiro-me a António Sérgio e ao seu idealismo critico, a
Bento Caraça e ao seu racionalismo de discreta expressão marxista, a
Delfim Santos
e à sua ideação fenomenológica e existencial ̶
todos, de modo diferenciado, propugnadores de um ensino renovado de
intenção formativa, orientado para o progresso cultural e material do
País».
GUIMARÃES, Fernando (1987)
No
cinquentenário da «Revista de Portugal» de Vitorino Nemésio, Lisboa:
Colóquio/Letras 100, 88-90:
«Diálogo
estabelecido com a cultura europeia - É o que, aliás, acontece com a
atenção prestada, através de colaborações de
Delfim Santos
e Paulo Quintela, a dois grandes poetas alemães, Hölderlin e Rilke. O artigo de
Delfim Santos,
publicado no n.º 4, é um comentário ao conhecido estudo de Martin
Heidegger «Hõlderlin e a essência da poesia». Trata-se de um texto
que aponta algumas das principais concepções filosóficas de
Heidegger, as quais, não raro, se centram na análise da criação
artística. É sabido que o objetivo do autor de Ser e Tempo,
pelo relacionamento que existe entre esse tipo de criação ou poiesis e o ser, extrai conclusões de alcance propriamente
ontológico, na medida em que, para este filósofo, a questão
fundamental diz respeito à essência e à verdade do próprio ser. Mas,
se abstrairmos estas implicações que interessariam sobretudo ao
domínio da filosofia, verificamos que no texto de Heidegger e no
comentário que dele faz Delfim Santos
há um conjunto de afirmações que abrem novas perspetivas quanto ao
sentido da poesia, do papel que a linguagem nele desempenha, do seu
enraizamento existencial ou histórico, etc.: a “Poesia é um sonho
verbal [ ... ] e a sua substância é sempre e só o domínio verbal”;
“o ser do homem fundamenta-se na linguagem e só como diálogo é esta
essencial”; “somos seres históricos - porque ser-histórico e
ser-diálogo pertencem-se mutuamente e significam o mesmo”; “a Poesia
é criação verbal do ser”; “o verbo do poeta é criação não somente no
sentido de livre oferta da essência das coisas às próprias coisas,
mas também e simultaneamente no sentido da firme fundamentação da
presença humana”. Se nos detivermos em passos como estes, poderíamos então entrever
algumas das direções possíveis de uma poesia que, valorizando o que
constitui o seu espaço verbal, encontra uma possibilidade de
instaurar uma realidade que seria, se adotássemos a palavra a que
recorre Heidegger, a do próprio ser ou —
se nos afastarmos de tal enquadramento filosófico —
algo que corresponderia à dimensão simbólica da linguagem. Uma
poesia que se volta, pois, para a linguagem, para a imagem, para o
símbolo... Outro aspeto a pôr em relevo: o ponto de vista de Heidegger relativo
à existência humana e à história está, no primeiro caso, isento de
qualquer referência à dimensão psicológica do homem e, quanto ao
segundo, de qualquer subordinação a fatores de índole
económico-social, como ocorreria numa concepção de proveniência
marxista. Curiosamente, poderíamos verificar que algo de paralelo se deixava
entrever nas próprias opções literárias ou artísticas do Modernismo
quando prefere renunciar a um subjetivismo emocionalmente imediato
ou a uma direta subordinação a um certo sentido da história muito
ideologicamente marcado. Mas entendamo-nos. O que importa aqui
realçar não é a influência improvável que o pensamento de índole
filosófica, seja o de Heidegger ou o de outros pensadores, pudesse
ter exercido sobre uma nova concepção de poesia, mas sim a
circunstância de numa publicação como a Revista de Portugal
confluírem certos pontos de vista, diversas intuições, algumas
perspetivas que acompanham o que poderá representar, no âmbito da
literatura do seu tempo, um possível desenvolvimento do nosso
Modernismo ...».
LEME, Carlos Câmara (2003) António Quadros,
'um missionário da cultura':
[PÚBLICO,
21.03.03] «... À época, de resto, os seus
[de António Quadros] autores de eleição são Sartre, Camus e Merleau-Ponty. Porém,
Delfim Santos, que tinha sido seu professor, aponta-lhe outros horizontes
— Nietzsche, Kierkegaard, Kafka
— e três autores oriundos do personalismo: Bergson, Gabriel Marcel e Jaspers».
MACHADO, Álvaro Manuel (1978) O ano literário de 1977,
Colóquio
Letras 42, 57:
«...
prolongamento ou renovação, decadência ou ressurgimento são
categorias muito relativas. Sendo impossível precisá-las em breves
linhas, poderá responder-se com as palavras de um pensador português
de raríssima independência de quem em 1977 saiu o terceiro volume
das Obras Completas, Delfim Santos,
a propósito dos conceitos de “saudade e regresso” na obra de
Pascoaes: “só o que se perde se pode encontrar. A busca é ação
futura relativamente ao que se perdeu, e o que se perdeu no passado
é preocupação do futuro”».
MARlNHO, José (1976) Verdade, condição e destino no pensamento
português contemporâneo, Porto.
NUNES, Manuel Jacinto (2009)
Memórias soltas, Lisboa: Aletheia,
31:
«Em 1953, sou convidado para reger Economia Política no Instituto de Altos Estudos Militares, no Curso do Estado-Maior, que fora objeto de uma reforma. Iniciei funções em Novembro, após tomar posse, juntamente com
Delfim Santos, que ia reger Psicologia. Fiquei desde então com uma relação de amizade com
Delfim Santos, um espírito brilhante, de uma grande cultura. As conversas com ele eram um grande prazer intelectual. Fizemos ambos parte, anos depois, em 1960, da delegação das Universidades de Lisboa, que sob a direção de Marcello Caetano, então reitor da Universidade Clássica de Lisboa, promoveu o primeiro curso universitário de férias no Ultramar (estivemos em Angola e Moçambique, pouco mais de um mês). Mas
Delfim Santos viu rescindido o seu contrato no Instituto de Altos Estudos Militares, no ano seguinte, por incompreensíveis motivações políticas» [nota do site www.delfimsantos.org: em conversa com o Prof. Jacinto Nunes sobre esta alusão ficou esclarecido que as ditas motivações foram afinal pessoais e não políticas].
- PATRÍCIO, Manuel Ferreira
(1992) A Pedagogia de Leonardo Coimbra: Teoria e Prática, Porto, 12-16.
PAIS, NATÁLIA (2008)
A importância da arte de brincar,
Lisboa: Diário de Notícias 12.07.08:
«No início dos anos 60, a convite dos seus professores universitários, [Natália Pais] participou na criação do
Centro de Investigação Pedagógica, na Fundação Calouste Gulbenkian, uma experiência-piloto no cenário da educação portuguesa da época. «Era um momento de ebulição cultural no País, assinalado por uma revolução educacional de caráter subversivo», lembra a pedagoga, explicando que surgiram grandes transformações pedagógicas nos anos 60. O Centro de Investigação Pedagógica, que atuou até 1979, organizou a primeira biblioteca especializada em Psicopedagogia e deu início às primeiras experiências de inovação pedagógica, a nível de ensino primário, com grupos de professores e associações culturais».
PINA, Luís (1963)
Plano para a
educação de uma menina portuguesa no século XVIII (No II centenário da publicação do
método de Ribeiro Sanches), Conferência na Faculdade de Letras da Univ. do Porto, com a colaboração do Centro de Estudos Humanísticos,
Porto, 11.12.63, 9-50.
PINA, Luís (1966)
Faculdade de Letras do Porto (Breve História),
Cale, Revista da Faculdade de
Letras do Porto 1 [único publicado], 1966, 59-172:
[149:] «Porque o julgamos complementar desta história da vida breve da primeira Faculdade de Letras do Porto, passamos a apresentar o ROL DE TODOS OS LICENCIADOS PELA FACULDADE DE LETRAS DO PORTO, DE 1923 A 1931,
Cópia do respectivo Livro de Assentos, arquivado na Reitoria da
Universidade do Porto. [166:] n.° 152 — 22 de Julho de 1931 — «H. fil.//Delfim Pinto dos Santos//Porto/18 valores».
[169:] «Do Porto e seu Distrito são 75 os Licenciados pela primeira Faculdade de Letras desta cidade. Deste rol viriam a ser distintos Professores universitários e liceais, homens de Letras, historiadores, críticos da arte, filósofos, como em demais ramos do saber e da arte, as figuras de Torcato de Sousa Soares, Armando Lacerda, Eugénio Aresta, Agostinho da Silva,
Delfim Santos, Humberto Lima, Sant’Ana Dionísio, Salgado Júnior, José Marinho, Miranda de Andrade, Baltasar Valente, Augusto Saraiva, Feliciano Ramos, Casal Pelayo, e outros…».
PINTASSILGO, Joaquim
(sd.)
A
profissão e a formação no discurso dos professores do Ensino Liceal português:
[4:] «Na ótica de
Delfim Santos
— no caso um professor universitário que
havia iniciado a sua carreira no ensino liceal —, “a escola, e nela o professor, está ao serviço do aluno”
e, para isso, “tem de a ele adaptar-se”; o objetivo principal da sua
atividade é “a criança que está formando”. Esta concepção representa
mesmo para o autor “a grande revolução da nova pedagogia”,
(1958) Formação de professores, Labor 177, 669 e 661)».
QUADROS, António (1971)
Ficção e Espírito, Memórias críticas, Lisboa: Sociedade de
Expansão Cultural, 178-179:
«Delfim Santos,
de quem fui aluno e mais tarde amigo, era o único professor da
Faculdade de Letras que olhava com simpatia este movimento
filosófico-literário [existencialismo], inspirado aliás no
pensamento dos grandes alemães de quem fora discípulo ou atento
leitor, Hartmann. Husserl, Heidegger. Mas Delfim Santos
foi sempre um isolado e um segregado nessa Faculdade positivista,
onde, até morrer, não conseguiu obter mais do que uma cátedra de
Pedagogia... Entretanto, à minha tese de licenciatura sobre a arquitetura
portuguesa, remanejada e desenvolvida, dei o título de Introdução
a uma estética existencial, que o prefácio um tanto
artificiosamente procurava justificar — mas que a argúcia de
Delfim Santos
não perdoou...» (ver
correspondência de Delfim Santos com este autor para as questões
em torno deste livro).
REAL, Miguel
(2004)
Sílvio Lima,
filósofo sem filosofia,
Lisboa: Metacrítica 4.
SANTOS, José Gabriel Trindade dos
(2011)
Depoimento para o site www.delfimsantos.org:
«Não tive a honra de ter sido aluno de
Delfim Santos,
mas mantive com ele uma relação distante, entre 1957 e 1964. Ele
conheceu-me numa sessão de supervisão de estágio em Filosofia no
Liceu Pedro Nunes e distinguiu-me com a sua atenção e conselhos. Depois, a minha oscilante carreira como aluno na Faculdade de Letras
da Universidade de Lisboa levou-me a pedir-lhe uma orientação, que
as figuras então reinantes no Curso de Filosofia não permitiram que
frutificasse. Já a minha passagem pelo Centro de Investigação Pedagógica da
Fundação Calouste Gulbenkian foi sob a direção de Alberto Martins de
Carvalho e de Rui Grácio».
SENA, Jorge de & José-Augusto FRANÇA (2007)
Correspondência, Lisboa: INCM, 281 e 284:
[José-Augusto FRANÇA, Lisboa] 26.12.66:
«PS
- Soube da morte (coração) do Delfim Santos,
em setembro?» [Jorge de SENA, Madison,
Wis., USA] 28.01.67:
«PS
- Soube, sim, da morte do Delfim Santos.
Mais outro que morre de frustração portuguesa».
SERRÃO, Joel
(1960) Temas de cultura portuguesa,
Lisboa: Ensaio.SILVA,
Agostinho da
(1972) Vicente: Filosofia e Vida,
São Paulo:
Convivium
16-3, mai./jun., 246-251:
«Mas não é talvez a este alvo que
apontam os defensores da existência de uma filosofia portuguesa, os
quais não deixariam, em tal caso, de registrar os nomes de um
Francisco Sanches, de um Leão Hebreu ou de um Espinosa, muito fáceis
de reduzir a uma original marca portuguesa, embora de ambiente muito
outro. Quando têm como seus mestres um Sampaio Bruno e um Leonardo
Coimbra e até um Delfim Santos, ou
seguem os ensinamentos dos ainda felizmente vivos Álvaro Ribeiro e
José Marinho, já menos os do perfurante cético que é Sant’Ana
Dionísio, o que nos dizem é que pouco importam os sistemas, sempre
incoerentes».
SILVA, Lúcio Craveiro da
(1958)
Filosofia portuguesa
atual: esboço histórico valorativo,
Braga: Revista Portuguesa de Filosofia 14, 403:
«Delfim Santos é atualmente um dos talentos especulativos de formação filosófica mais vasta, Admira Leonardo Coimbra (Cfr. Aporética Criacionista,
Leonardo Coimbra, Porto, 1950; Atualidade e valor do pensamento filosófico de Leonardo Coimbra,
Studium Generale, 1956) de quem foi aluno, teve contactos pessoais com Bergson, Husserl, N. Hartmann, M, Heidegger e foi companheiro, em Berlim, de Sartre. Autor filosoficamente não ligado a nenhuma escola, conhece S. Tomás e Suarez sobre os quais escreveu interessantes estudos e é atualmente entre nós o representante mais categorizado da Filosofia da Existência. Por isso
interessam-lhe os temas e não os sistemas».
SOUSA,
Elisabete
(2009)
Kierkegaard's International Reception: Portugal, Discontinuity and Repetition, Aldershot:
Ashgate, 6-7:
«... Delfim Santos (1907–66), who started mentioning Kierkegaard regularly as early as 1933, i.e., before Casais Monteiro’s translation of
The Sickness unto Death — in the essay 'Dialéctica Totalista',
Presença 2,
39, 1933,
Delfim Santos reviewed the theory of stages and the concept of liberty as action (see
Obras Completas de Delfim Santos 1, Lisbon: Gulbenkian
(1971) 31-38. ... On the other hand,
Delfim Santos’ influence was predominantly institutional; a professor at the University of Lisbon, he was, among Coimbra’s disciples, the one who left an indelible presence in Philosophy and Pedagogy Studies until his death. Though he did not hold a Philosophy chair, he was the head of the Pedagogical Sciences Department for almost twenty years; this enabled him to influence various generations of graduate students who had to pass difficult entrance examinations to be admitted to teaching posts at public secondary schools. In an “In Memoriam” article,
his role as professor and his philosophy (including the role of
Kierkegaard in his thought) are acknowledged by eight representative
personalities of his time (from editors to academy colleagues). See
Delfim Santos: um Destino Português, O Tempo e o Modo 43-44,
1966, 1080–1101.
Delfim Santos read Kierkegaard in German, and his main philosophical interest and points of references were Heidegger and Nicolai Hartmann; he contributed regularly to general and philosophical publications and to the daily press, besides publishing four main works. From 1933 until one of his last articles in 1966, he made constant reference to Kierkegaard, though he focused especially on his role in the emergence of the philosophy of Heidegger and on his influence on existentialism. He always underscored the unique nature of Kierkegaard’s thought, accurately presenting the philosopher’s point of view on irony, subjectivity, anxiety, despair, among other key concepts, not forgetting to signal the first centenary of Kierkegaard’s death in the opening speech of the first Philosophy Congress in Portugal in 1955.
Among other texts by Delfim Santos, see The Value of Irony (O
Valor da Ironia, 1943) in his Obras Completas 1
(1971) 349-353; The Existential Meaning of Anxiety (Sentido Existencial da Angústia,
1952, in his Obras Completas 2
(1973) 154-164; Jaspers in Contemporary Philosophy (Jaspers na Filosofia Contemporânea, in his
Obras Completas 2 (1973) 268-279; Philosophy as Fundamental Ontology (Filosofia como Ontologia
Fundamental, in his Obras Completas 2 (1973)
213-216».
VILELA, José Stichini (1982)
Francisco de Holanda - vida, pensamento e obra,
Lisboa: ICALP [menção na bibliografia].
- VER SUPRA OS ALUNOS: Matilde Rosa ARAÚJO, Afonso BOTELHO, António QUADROS.
- BARROS, Antero de (29.07.07)
carta a Manuela Santos, viúva de D.S.:
«Na minha ótica, o Professor
Delfim Santos é o maior dos grandes
pedagogos e pedagogistas portugueses do século passado. Das suas
aulas de Pedagogia e Didática e História da Educação guardo a mais
bela das recordações da minha vida estudantil. Desde que o conheci,
nos princípios da década de 50, ele esteve sempre presente na minha
vida, pois, como ele próprio dizia, a vida afasta as pessoas, embora
as não separe, e a morte separa as pessoas, mas não as afasta. Em sua homenagem, um dos meus filhos tem o nome de Delfim. No
convívio fraterno com os meus antigos alunos do ensino secundário,
de Cabo Verde ou de Angola, o nome dele foi e é sempre lembrado.
Ainda a semana passada, durante a homenagem que me foi prestada
pelos meus antigos discípulos do ensino secundário, o nome dele foi
referido, saudosamente, várias vezes. Bem haja, D. Manuela, pois há mais de 30 anos, que me roubaram, da
casa do meu falecido Pai, em S. Vicente de Cabo Verde, a Fundamentação Existencial da Pedagogia e outros trabalhos que o
meu velho Mestre me tinha oferecido».
LEITÃO, Otília (2007)
Homenagem ao Dr. Antero de Barros, 19.07.07
[sobre Antero de Barros:] «É um homem Grande, literalmente, este professor do liceu Gil Eanes, instituição a que
«a independência de Cabo Verde deve uma grande parte». Antero Barros, o único negro de três rapazes entre 58 raparigas do seu curso de Filologia Românica, presenciou o primeiro discurso de Amílcar Cabral na 17º Assembleia das Nações Unidas, em 1962, ensinou várias gerações de onde saíram ilustres figuras, e, aos 85 anos, sem perder o seu taco de golfe, tem pronta para publicação uma investigação sobre a influência da língua inglesa no crioulo [...] De Portugal que considera a sua segunda pátria, onde cursou na Universidade de Letras de Lisboa, recorda os seus
grandes professores na década de sessenta: Lindley Sintra, Maria de Lourdes Belchior, Prado Coelho, Celso Cunha,
Delfim Santos (...) A sua vida, adverte, sorrindo,
«dava muitos livros». E pelos livros continua à procura de dois especiais que lhe terão sido roubados
(...) há mais de 30 anos, em S. Vicente, e sobre os quais chegou a prometer alvíssaras em anúncios de jornais:
As Técnicas e o Valor da Reconstrução da Filologia Comparativa, do professor Frederico Laranjo, e
Fundamentação Existencial da Pedagogia, do professor
Delfim Santos. Fazem-lhe falta».
- COSTA, João Bénard da (1989)
Delfim Santos: Uma
Pessoa Moral, Revista do Instituto de Apoio à Criança 8, set.
1989.
- COSTA, João Bénard da (2005)
Cultura e
liberdade (I),
Lisboa: Público, 26.06.05, re-editado em Os Filmes da Minha Vida:
[PÚBLICO, 27.08.04:]
«Na universidade, estive três meses em Direito. Confirmo a merecida reputação de Marcello Caetano, mas dos outros nada recordo. Arrepiei caminho e passei para Letras (Ciências Histórico-Filosóficas, assim se chamavam então).
Delfim Santos, Vieira de Almeida, Mário Chicó, Virgínia Rau, são nomes a escrever com letra grande e "happy few" devem imenso a
Ribeiro Soares, quando ele e esses "few" partilhavam gostos singulares. Mas dos outros (estava-me a esquecer e não devia de Ferreira de Almeida), sobretudo no que tocava à Filosofia, quem não saiba é melhor nunca ter experimentado. Era nossa convicção (nossa, dos alunos) que deviam a cátedra ao estado disto, pois que a qualquer sabedoria ou inteligência não a deviam certamente. (...) Posso ser muito parcial mas acredito que, se a formação de professores (tema dominante do pensamento de homens como, por exemplo,
Delfim Santos ) tivesse sido levada a sério e feita a sério, não se tinha chegado onde se chegou. Poesia? Preconceito? É bem possível e não vim aqui polemizar, caso em que esta crónica seria bem fruste. É que mesmo nas tais esporádicas "experiências" recentes (anos 90) eu nunca vi, diante de mim, as tais "máscaras de apatia". Ignorância, sim, imensa, acompanhada, em gerações mais recentes, pela arrogante ignorância dessa própria ignorância, o que é a mais explosiva mistura que imaginar se possa. Mas a apatia pode ser vencida e, daí ao resto, há um passo possível».
[PÚBLICO,
03.12.04:] «Nos tempos em que andei pelo Convento de Jesus a cursar Histórico-Filosóficas - Mário Soares também por lá andou -, o prof.
Delfim Santos, ao explicar-nos as diferenças entre os tipos caracterológicos EAS (Emotivo-Ativo-Secundário), os chamados "apaixonados", e EAP (Emotivo-Ativo-Primário) os chamados "coléricos", costumava dar como exemplo dos primeiros Salazar, e como exemplo dos segundos, Francisco da Cunha Leal, então (era isto em 1955 ou 1956) o vulto mais conhecido da oposição democrática. Para grande escândalo das minhas colegas marxistas, via nessa oposição caracterial parte da razão das suas oposições políticas. Nunca conheci pessoalmente Cunha Leal, mas não tenho qualquer dúvida de que, se Mário Soares, nesses anos, já fosse famoso,
Delfim Santos teria tido um bem melhor exemplo de antagonismo visceral, não desfazendo nos viscerais antagonismos ideológicos».
[PÚBLICO, 25.02.05:]
«Perder a memória é perder a identidade, literalmente deixar de se saber quem se é. Nenhum livro me meteu mais medo do que um que o prof.
Delfim Santos nos recomendou, quando eu andava na Faculdade de Letras, e se chamava
Les Maladies de la Mémoire. Nessa altura não se falava muito nisso e a doença de Alzheimer ainda era batizada com nome mais suave. Nesse livro, vinha descrita, como outras igualmente terrificantes. Lembro-me de ter ouvido Steiner, uma vez, referir-se àquele momento ou àqueles momentos (vão chegando, vão chegando) em que, de repente, nos falta um nome "que está debaixo da língua", como o princípio do fim para o historiador que se converte em história. Cultura é tudo o que fica, quando o que aprendemos se esquece? É precisamente o contrário, pois nenhuma cultura se funda sobre o esquecimento. Se todos nos lembrássemos da vida toda - desde o ventre materno, como Tolstoi dizia que se lembrava - conhecíamos e conheceríamos bastante melhor. É por isso que penso que as pedagogias que desvalorizam a função da memória, ou se batem contra o "ensino memorialista", são as responsáveis pela incultura dominante e pela perda do sentido de tempo e de História, sem a qual ninguém se acha e os portugueses muito menos».
[PÚBLICO, 26.06.05:]
«Eu, chefe de redação de
O Tempo e o Modo e sem muita vontade de continuar a investigar pedagogia após a morte do prof.
Delfim Santos em 1966, estava à mão de semear».
[João
Bénard da Costa, Wikipedia:] «Convidado por Delfim Santos para seu assistente naquela faculdade [de Letras de Lisboa, a João Bénard da Costa] foi-lhe impedida a carreira universitária, por força da PIDE».
- MARCHAND, Bruno (2008)
Dulce
d'Agro:
«A predominância de um gosto que
pendia para o naturalismo oitocentista convivia com uma crescente
consciência da classe dominante sobre o alto potencial de
valorização da arte moderna, facto que terá impulsionado o
desenvolvimento de um mercado, ainda que débil, para este tipo de
manifestação artística. Dulce d’Agro pertencia a essa classe
dominante. Contudo, não só a sua formação a aproximava da
modernidade artística bem mais que do gosto oitocentista, como as
suas ambições excediam em muito a apetência pelo mero investimento
em bens culturais. “A Dulce d'Agro foi sobretudo uma mulher abastada
e cosmopolita, artista de formação, e casada com um arquiteto dotado
de uma grande curiosidade intelectual e artística. Ambos correram o
mundo, do Egito ao MoMA...”. Foi certamente a partilha dessa
curiosidade, aqui apontada por António Cerveira Pinto, que
impulsionou a estreita relação de Dulce d’Agro com alguns
intelectuais da época – de entre os quais Isabel Alves destaca, pela
recorrência com que eram invocados, o Professor
Delfim Santos e Suzanne Page, cuja longa carreira
no Musée d'Art Moderne de la Ville de Paris incluiu a posição de
diretora a partir de 1988 –, e que a levou a estudar pintura sob a
orientação de André Lhote em Paris».
«Isabel Alves, Coordenadora do
projeto ernestodesousa.com: Eu e o Ernesto começámos a acompanhar o
trabalho da Dulce na Quadrum, logo a partir das primeiras
exposições. Se não me engano, logo na exposição do Vasarely. De
qualquer forma, as memórias mais vivas que tenho da Dulce são de
meados do anos 70 em diante, altura em que a Dulce começa a levar
alguns artistas a feiras internacionais. A Dulce era agitadíssima! O
Ernesto fazia uma conferência qualquer no exterior e a Dulce
aparecia. Em Munique, por exemplo. Foi uma grande divulgadora da
arte portuguesa. E nesse sentido foram muito importantes os
contactos que manteve com alguns agentes, principalmente em Paris. A
Dulce falava muito das comissárias que organizavam a bienal de
Paris... a Suzanne Page... E falava muito também do Professor
Delfim Santos».
- PACHECO, Luiz (2007)
GEORGE, João Pedro, O Crocodilo que Voa, Entrevistas a Luiz Pacheco, Lisboa:
Tinta da China, 105 [sobre os meus mestres]:
«Dos mestres
apareceram o Câmara Reys, da Seara Nova, que era muitíssimo
bom, e apareceu também o Delfim Santos,
em Filosofia, que era também muito bom. Para sorte minha, o
Delfim Santos, vindo
fresquinho da Alemanha onde tinha apanhado com o existencialismo em
cima, teve que fazer um estágio no Liceu Camões, comigo (...) e com
o [José] Cardoso Pires (...) Cada aula de Filosofia era uma
dissertação magistral. Depois voltou a ser meu Professor na
Faculdade...».
- ALVES, João Lopes
(1966) [Antologia:] Delfim Santos
— Um filósofo
português vivo,
Lisboa: Jornal de Letras e Artes 16.11.66,
9-12.
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